segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Um texto vagabundo


Aos inquietos, sem tranqüilidade, sem voz.
Aos cheios de medo e dúvida



Escolhi ser um homem-cheio-de-palavras. Digo que as amo, as mordo e as moldo. São como barro. Crio vasos. Palavras que ficam firmes e seguras por pouco tempo. Vaso é frágil. Leve. Um empurrão mais violento o coloca no chão. E, agora, onde estão as palavras, caro amigo? Não passam de terra, de argila, de pó de vidro, destroçadas. Lançadas ao nada. Não passam de som...

Entreguei-me a elas desde cedo. Antes, tinha as minhas agendas, minhas palavras no fim da noite. Meus rascunhos, meus guardanapos das cantinas: rabiscados, escritos. Qualquer idéia se transformava em palavras-de-papel. Uns dizem que são cheias de poesia, de estórias, de magia. Talvez. Que elas sejam cheias de vida. De uma vida marcada pelas inquietações desse mundo.

Cada palavra nasce cortando a minha língua, os meus dedos. São viscerais, filhas das entranhas, das dores, das lágrimas, dos medos cotidianos. Em alguns outros momentos, nascem como refrigério, água no deserto da existência. São as bem-ditas palavras de esperança. Tão necessárias em meu mundo da vida.

Nestes últimos dias, as palavras foram confusas. Loucas. Sem sentido. Não as entendi. Nasceram palavras da dor, do luto, da lágrima, da celebração, da saudade e da utopia. Uma confusão de realidades. Uma bagunça verborrágica. Sambas e velórios. Gritos de festa e silêncios de dor. Tensão. Conflito. Trauma. Medo cortando qualquer idéia, calando com mãos duras, ásperas, qualquer voz, choro, clamor.

Neste caos, perguntam logo os religiosos, os do caminho de Jesus (como eu): Deus onde estás? Porque desamparaste este povo, esta gente, este menino, este poeta que um dia escolheu seguir o Deus-em-si-poesia... Deus, porque o justo? A dor em sua hora da morte... o sorriso dos cruéis. Deus de vários nomes e rostos? Porque a dúvida, a dor, o choro? Morte malvada, cruel, desumana que separa os amantes. Deus do silêncio, dos eclipses, das sombras. Onde estás? Retira-me destas sensações que cortam meu corpo. “Já que és o verdadeiro filho de Deus, desprega a humanidade dessa cruz!” (Murilo Mendes).

Palavras sem sentido. Quando tudo parece bem... os vasos são derrubados. Voltam ao pó. As telhas com que mexo as minhas chagas não fazem mais sentido. A dúvida se faz gente-grande perto da criança, do poeta, do profeta... as ameaças são maiores. Sinto-me cada vez menor. Calado. As palavras se converteram e se transformaram em seu pai: o silêncio. Elas tomaram outros corpos, outras línguas, outras telas. Sou um homem-sem-palavras...

Diante dessa confusão, relembro as letras de Oswaldo Montenegro, Lulu Santos e Murilo Mendes:
“Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio. Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo. Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. E que o teu silêncio me fale cada vez mais” (Oswaldo Montenegro).

“Tem certas coisas que eu não sei dizer...” (Lulu Santos).

"No silêncio cultivam a pura flor da esperança" (Murilo Mendes)

Perdão por este texto vagabundo: sem começo, sem meio e sem fim...
Ele apenas é...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Lá onde está Deus...


Jon Sobrino, um dos teólogos que contribuem no meu fazer-teológico, escreveu certa feita: “Lá onde as pessoas praticam o verdadeiro amor, lá está Deus”. Tenho pensado muito nesta frase. Nestas palavras que se mostram muito mais que signos, que grafia.

Muitos se inquietam: onde está Deus? Quem é Deus? Quais são os seus sinais? Perguntas que escuto todos os dias. Parece que os teólogos deveriam saber disso como ninguém. Engano. Os teólogos falam, escrevem, poetizam sobre Deus. Fazem magia com as palavras. Palavras encantadas que falam a partir da vida e para a vida. Que procuram (como mágica) fazer brotar os jardins em pleno deserto, flores em pedras, corpos-vivos em sepulcros... Diante daquele que reconhecemos como Deus, trilhamos pelo falar e pelo calar, pela luz e pela penumbra. Não sabemos muita coisa... o mistério é maior que nossos pensamentos sistemáticos.


Mas podemos arriscar palavras... Deus se mostra no amor. Se quisermos encontrar com Deus: devemos olhar no rosto de quem amamos. Sentirmos o seu abraço, o seu calor... Os amantes se encontram com Deus todos os dias, todas as manhãs, em todo pôr-do-sol. Amor inquieto, muitas vezes frágil, desejado, sonhado, vivido. Neste amor, o sagrado mostra seus lampejos. Mas este Deus-em-relação, Deus-amante, nos inquieta. Ele é maior que nossas regras religiosas, nossos mundos pintados de branco, nossos templos, nossa moral (que por sinal, é de um povo que não é o nosso). Para nos sentirmos seguros, colocamos o divino numa caixinha de conceitos lacrados. Nela o amor nem passa por perto. Nesta caixa, nós o temos sob as nossas idéias. Idéias que parecem nascer sem corpo (como se isto fosse possível).


Mas o amor rompe estes lacres. Deixa fissuras em nossos moralismos, em nossos conceitos. Este Deus-amante se mostra onde não queremos ver, em relações que estranhamos. Mostra-se naqueles que não são amados: os pobres e as vítimas de nosso mundo injusto. Revela-se nos corpos que se amam e querem se ter, no cuidado ma(pa)terno, na amizade mais sincera e salvadora.

Ao falar de Deus, devemos falar, praticar e viver o amor: este caminho construído em relação, em irmandade...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Mar(cas)

Ao meu mar...


Mar inquieto,

Mar de tempos santos, insanos

Inconstantes decisões, escolhas

Marejados olhos

Marcadas palavras


Mar dançante,

Mar dos cantos,

Marinheiros desavisados, em ti,

Perdem o passo, erram a música

Afogam-se fácil


Mar de agora,

Mar de antes,

Suas águas lançam-me nas pedras

Meu corpo sangra,

minhas feridas se mostram


Mar envolto,

Mar revolto

Em teus (a)braços, outrora cortantes,

Sinto o sabor salgado da cura

O gosto das lágrimas de antes


Mar do desejo

Mar da vontade,

Em tuas águas do querer

Sinto o sabor do teu corpo-saudade

Da tua boca em carne


Mar(cas) de sempre...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O profetismo da Teologia


Aos que escolheram não ser iguais...

A teologia causa medo. Ela traz crises. Dolorosos e férteis conflitos. Para os mais conservadores e fechados à novidade, ela anula a fé simples. Uns dizem: “prefiro a fé simples àquela pregada pelos teólogos”. Enquanto outros do mesmo grupo afirmam: “A teologia deve servir a Igreja, é para essa instituição que ela foi criada”. Desde que entrei nas esteiras do fazer-teológico, escuto, de forma repetida, muitas palavras contrárias ao profetismo da teologia, que se mostra como adversário, contrário ou “fora da visão” de certos modelos e instituições. Diante dessas considerações, nasce a pergunta que procura trazer sinais a essa realidade que levantei: a teologia está a serviço de quem ou de que instituição?


Teologia é antes de tudo hermenêutica, interpretação. Um esforço profundamente humano de compreender a ação e o amor de Deus por meio da realidade. A teologia se mostra, assim, como ato segundo (Gustavo Gutierrez). Ela procura falar sobre a vontade de Deus para o mundo e para a humanidade a partir da vida. Dessa forma, ela procura, sendo hermenêutica, trazer críticas, perguntas e algumas respostas às indagações que são geradas em nossas Igrejas e em nossa sociedade. A vida torna-se o primeiro passo, assim como fez Jesus. Antes das pedras da lei, que matariam a mulher adúltera, existe a vida de quem não tem sentido e estava sendo vítima de uma religião opressora e legalista (João 8). Ao se fazer teologia, não devemos partir de conceitos, embora com eles nos sentimos mais seguros. A vida é o centro! Dessa maneira, a teologia fortalece a fé. Não a fé que deseja ficar presa no monte da transfiguração (Marcos 9) em cabanas para aprisionar e privatizar o sagrado. Uma fé simplória e egoísta. Mas fortalece uma fé movida por uma espiritualidade da descida, que se encarna no mundo, nas planícies, lutando contra os sinais de morte (Marcos 9) e partilhando os pães e os peixes para que ninguém tenha fome (Marcos 6)!


Com estas palavras, volto à pergunta: a teologia está a serviço de quem ou de que instituição? Karl Barth, teólogo alemão, apresenta a tensão existente entre Igreja e Reino de Deus. Aqui está um ponto importante da minha reflexão. O Reino de Deus não é a Igreja! Ela faz parte deste reinado, mas indubitavelmente, o Reino é maior que as nossas estruturas eclesiásticas. A Igreja é um lugar construtor de teologia, mas não tem o monopólio do pensar a fé (ainda bem!). A teologia serve ao Reino de Deus, que está centrado na vida! Esta é a mensagem central do Nazareno, o reinado que se mostra contra a idolatria: do mercado, dos nossos conceitos, das nossas instituições provisórias e falíveis (Barth); reinado que tem como destinatários preferenciais as vítimas, os mais pobres, lutando pela vida justa (Jon Sobrino); reinado que caminha para a nova criação, salvando todo o mundo e a humanidade (Jüngen Moltmann). Sabemos que algumas teologias preferem outras trilhas, mais comerciais. Mas a que caminha pelos passos de Jesus não servirá aos projetos do anti-Reino, não servirá a Igreja enquanto esta instituição caminhar contra a vontade de Deus e contra o evangelho do Cristo... A boa teologia estará a serviço das Instituições quando elas forem porta-voz e testemunha do Reino, visando o bem-estar integral do ser humano e da criação.


A teologia é profética e será contrária a fé que domestica, que iguala (uma produção em série de novos fiéis), que reproduz respostas mofadas para situações novas. Não quero para os meus estudos seguir essa teologia nem esta fé. Elas respondem apenas às necessidades do mercado e de uma sociedade tecnológica, por esses caminhos, seria apenas um teólogo funcional: seguiria o mesmo, defenderia a luta contra o diferente, me basearia só em conceitos, lutaria pelos interesses privados... Mas, prefiro a crise à conformidade. Prefiro ser profeta queimado nas fogueiras da inquisição a ser profeta institucional. Prefiro sentar-me com a samaritana, com as prostitutas, com os que comem e bebem a sentar-me com os saduceus, os donos do templo. Prefiro comer com as mãos sujas e entrar na festa do Reino em Caná a me lavar nas águas da religião, que com Jesus foram transformadas na alegria do vinho. Mesmo que eu afunde por alguns momentos, prefiro uma fé que me lance no mar tempestuoso ao encontro daquele que sigo a ficar no barco seguro... Por fim, prefiro a teologia que caminhe pelo profetismo, pois nela não silenciamos a nossa voz, as nossas idéias, permanecemos na acidez da denúncia e na poética esperança do Reino...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sob a luz do amor




Aos que amam (ou esperam amar)...

O grande Rubem Alves já nos disse: “O amor prefere a luz das velas. Talvez seja isso tudo o que desejamos de uma pessoa amada: que ela seja uma luz suave que nos ajude a suportar o terror da noite. Sob a luz do amor que ilumina modesta e pacientemente, o escuro já não assusta tanto”.

Seguindo o nosso velho teopoeta, o amor gosta da luz trêmula, da luz duvidosa, que num vento gélido das nossas madrugadas (sozinhas madrugadas) resolve dançar, escolhendo os mais corporais movimentos... Este é o amor que quero. Nas noites de pedra da existência, em que o escuro silenciar e secar os meus lábios, ele se mostrará na pessoa amada como uma luz suave (mesmo insegura) que me fará brincar, criando formas, bichos, sonhos, crianças. Este amor está sob a suavidade, sob o fascínio da penumbra. Ele (re)nasce no olhar trocado, nos lábios tocados, nos corpos dados um ao outro.

Não quero o amor-farol que nos cega os olhos. Parece que ele é intenso e seguro demais para a minha ambigüidade, para quem estou sendo. O amor que deseja iluminar tudo, todos, transforma aquela que amamos num ser que ofusca e embaralha o caminho. Esse amor me dá medo! Com ele, sinto-me preso a um refletor sem graça, sem leveza, que nasceu apenas para guiar e mostrar-se aos navios pesados (Eis a metáfora!). Ele é aparente, propaganda diante do mar tempestuoso e incerto. Não é a chama que nasce ao derreter o corpo velado que se entrega. O amor velado revela-se na leveza, na luz modesta, na dançarina chama.

Sob a luz deste amor entregue às velas, como um menino que não conhece caminho algum para chegar aonde deseja, eu busco... Trilho em minhas contradições, em minhas limitações, em meus delírios, em meus sonhos. Sob a luz deste amor, frágil como uma chama, eu consigo dormir, pois o escuro e a solidão não me assustam tanto...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Eles se foram...



Ao Irmão e à Irmã que sempre sonhei ter (e tenho), na esperança de um re-encontro...

A noite terminou com um coração apertado. O corpo sentiu falta do abraço. O sorriso ficou na memória mais remota, mais desejada. Os ouvidos deixaram de ser a casa das palavras do amigo-irmão, da amiga-irmã. As entranhas ficaram geladas. O rosto tornou-se pálido e molhado. Os olhos mostraram-se encharcados. Os momentos para se “amar mais de perto” foram silenciados, extintos. No frio de uma terra distante, nos portões da simples casa, os olhos se encontraram... as palavras não conseguiram ser Palavras. Elas correram para um lugar, que até agora não consegui achar. O choro me calou, me engasgou (pelo menos no último encontro). A vontade de pedir outro abraço tocou a minha língua. Ando sozinho nesta cidade gélida, cruel... A tristeza e a saudade são inevitáveis. Mesmo que eu não queira, chegou o tempo de arrancar, de chorar, de separar, de rasgar, de calar. Eles se foram...

Bênção antiga:

Tua vida amigo,
Seja sempre para o melhor.
Que o sol aqueça o teu viver,
Que a chuva caia leve no teu lar
E até nos encontrarmos outra vez
Que Deus te segure nas suas mãos.
Que o Senhor te abençoe e guarde,
Que o senhor sobre ti levante o rosto
E te dê paz

sábado, 9 de maio de 2009

E o mercado se fez deus




Nestes últimos dois anos estamos acompanhando e participando da chamada crise econômica. Filha de um sistema capitalista cruel e injusto, fundamentado numa economia sem regulação (laissez-faire e laissez-passer) e num capital girando recursos financeiros flutuantes e distantes da vida do cosmos: dos humanos, das florestas, dos mares, dos rios... Este sistema econômico centra-se na especulação financeira, distante da produção real.


Mas, como em muitos momentos de crise, quem pagará o custo da sede insaciável do lucro de poucos ricos é a população mais pobre, a maioria da humanidade (os/as funcionários/as das metalúrgicas de São Bernardo do Campo, para falar de um contexto mais próximo). Para enganar e fantasiar a população, os governos das grandes potências mundiais realizaram intervenções com apoio financeiro às importantes corporações empresariais, mas isto é apenas a repetição do mesmo. “Isto é, a lógica da expansão e exploração capitalista continuaria seguindo o seu rumo, substituindo somente a doutrina/ideologia a serviço da elite mundial” (Jung Mo Sung). Diante dessa realidade, o que a teologia pode dizer?


O grande sintoma revelado pelo fazer-teológico, principalmente, o latino-americano, é este: a sacralização do mercado (para não falar neste pequeno texto da mercantilização do sagrado). O mercado torna-se deus, torna-se um ídolo, “um objeto feito pelas mãos do homem (práxis) ao qual se atribui o poder para realizar os desejos do coração” (Rubem Alves).


Acontece aqui a idolatria do mercado, lambuzada pelo desejo, pela vontade dos consumidores pelos bens e pela ambição do lucro dos poderosos do capital (comparada a um leão faminto ao ver a sua presa). Ao apresentar este sintoma: do mercado como deus, é necessário entendermos outras dimensões. Estes “ídolos são realidades históricas, realmente existentes, que se fazem passar por divindades, mostrando-se com as características da divindade: ultimidade, auto justificação, intocabilidade, oferecendo salvação a seus adoradores, embora os desumanizem e, sobretudo, exigindo vitimas para subsistir” (Jon Sobrino).


Aqui reside outra marca deste sistema globalizado, além de se assemelhar ao deus-feito-mercado, com promessas de uma “vida feliz” e próspera (qualquer semelhança com a religião “da moda” é proposital e real); o mercado-feito-deus pede vítimas em seus altares. Ele pede recursos, trabalhos, corpos, árvores, rios, mares... Os seus cultos são diários, constantes. As moedas e as ofertas são diversas, tudo vale, tudo pode acontecer pela “vida moderna”. O Reino de Deus torna-se reino do lucro. Os shoppings são construídos para favorecer este desejo. Esta vontade de poder transforma-se numa nova religião. A adoração ao deus acontece por meio do consumismo, da submissão e subserviência à mercadoria.


Diante disso, pensei no prólogo do evangelho do mercado, o Evangelho do capital (uma oposição ao prólogo de João 1):


No caminho nasceu o mercado
E o mercado estava/está ao lado de deus
E o mercado era/é deus
Sem ele nada (ou quase nada) acontece
O que foi feito dele é a morte, as vítimas
E a morte tornou-se guia de muitos humanos
As trevas escureceram a (dita) luz
A pregada-mas-não-vivida-luz foi presa e apaga pelo lucro

Mas, antes que eu me esqueça, este mercado tem ações “humanas”: os projetos que procuram levar esperança às crianças. De fato, uma grande trapalhada (literalmente), pois propõe uma cidadania-do-cartão-de-crédito. Uma cidadania apagada, que não acontece de fato na cultura, não é atenta, não é solidária. Muitos pobres continuam “sem rosto”, parecendo um bicho, bicho-homem - como nos disse o poeta Manuel Bandeira - se alimentando nas sobras, comendo os lixos da globalização e do neoliberalismo. Mas esta é a cidadania vendida pelo mercado-ídolo.


Para encerrar este texto, penso nas palavras de Jesus, pequenas e profundas: “Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6. 24, Bíblia de Jerusalém).


Com estas palavras, os meus comentários são silenciados. Como é bom escutar o mestre, aquele que escolhemos seguir: o Nazareno. Esta orientação de Jesus nos leva, como profetas, a lutar contra a idolatria do mercado, contra o sacrifício dos humanos, as vítimas (os mais pobres), contra a espoliação da natureza. É uma luta e uma denúncia em favor da esperança do Reino de Deus, o reino da vida, da justiça e da paz.